bolinha de gude

calhamaço do ócio

Carta, 9 de dezembro de 2010 00:54 

Eu tô com sono, mas tinha me prometido que iria escrever um texto hoje. Não foi, quer dizer, ainda não acabou o tempo, mas eu dormi   pouco de ontem para hoje, e vai ficar complicado somar mais um dia sem descanso. Deveria ser capaz disso, mas, você sabe, eu não faço lá muitas coisas direito.

Raramente me incomodo com a forma que os emails chegam. Minto. Sim, me incomodam quando eles são falsos, buscam um estilo e tem uma pretensão boba. No momento em que eles fogem do natural para encenar alguma coisa. Não é o seu caso, não precisa ficar se menosprezando. Escrever provavelmente é um talento que todos podem desenvolver, até eu consigo. Oras, não é difícil para tal.

Vou fazer uma brincadeira feia, mas usual. Jogar a responsabilidade textual nas pessoas, nesse caso, você. Eu tenho me preocupado muito com uma coisa: não consigo dar atenção as pessoas queridas. Algumas acompanham o meu humor e sabem que, se me encontrarem na rua, ou de bom humor na internet, serão bem tratadas - do meu jeito. E isso basta, pois sabem que eu sou assim, comporto me de um jeito estranho. É horrível você sentir que alguém não entende isso, e você pode até tentar suprir essa falta, mas acaba se embolando mais.

As tarefas complicam e a conclusão é que esse é o jeito que vivo. Preciso que as pessoas me entendam um pouco, eu gosto tanto de entender elas, sejamos recíprocos. Mas é raro isso acontecer e eu me sinto mal por isso. Não gosto de sumir da vida das pessoas. As pessoas que se aglomeram e juntas somem da minha vida por mobilização telepática. Juro.

Explico: são tantas as questões (gosto de todas) que fico confuso. Adoro conversar e ganhar tempo com isso, mas soma o tempo para ouvir música (desde que comecei a trabalhar não consigo administrar isso direito, estou preocupado), ver filmes, andar sozinho. Além da necessidade estranha de ficar olhando pro nada. 

Sou refém de tantos hífens e nem consigo me apaixonar direito, veja só. Até dei para andar arrumado, comprar roupas estilosas. Tenho me sentido melhor, mesmo um pouco materialista. Mas nada muda, e eu sempre falo disso. Incapacidade reina, a semelhante e feliz paixão sempre será o meu alvo, quero, acima de tudo, andar de mão dada. Óbvio, como faço questão de dizer, que tenho atrações mais carnais, de sexo. Porém nunca consigo me aproximar nesses casos, não tenho auto confiança para isso. Isso deve vir da certeza de um caso efêmero desnecessário, atrelar a uma pessoa que talvez não valha a pena. E é horrível ser assim.

As pessoas reclamam, mas não reconhecem.

Eu não considero você como uma pessoa no grupo das pessoas. Você é uma pessoa fora do grupo das pessoas, minhas generalizações embaçadas não se referem a você. Nem a um grupo de semelhantes, como você pode estereotipar na sua cabeça, funciona mais ou menos assim.

Saiba que eu penso em você. E em outras pessoas que são amigas, e ficam fora do grupo das pessoas, mas que também não consigo ser tão próximo. Eu queria, mas isso transpõe o meu cotidiano. E sem ele, eu nem te conheceria. Muito menos condenaria o grupo das pessoas. Eu deveria gostar do grupo das pessoas.

Marca uma hora no domingo ou sábado, te pago um café. (…) Quando for quando repetido de novo.

Beijos e desculpas,
Túlio

Ou seja mentiras editadas sóbrio

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