bolinha de gude

calhamaço do ócio

Mentirosos

1:
Comeu a?
2:
Quem te disse?
1:
Perguntei. Foi bom?
2:
Comi não.
1:
Comeria
2:
Também.
1:
Às vezes elas falam demais, decidem pensar pelos dois. Estraga
2:
Exatamente. Mas como você sabe disso tudo? Tu é bruxo? Ela tava comigo hoje.
1:
Isso é com você. Eu não sei de nada, sei de todas que me falaram não pelo mesmo motivo
1:
Não disse que a comeria, foi uma suposição sobre uma ideia sua
2:
Eu desisti.
1:
Tá tudo mudando. Era superficial?
2:
Ela? Eu?
1:
Não, a outra
2:
Era.
1:
Descobriu quando?
2:
Hoje. Por isso que eu achei meio bruxa, a sua abordagem acerca do assunto.
1:
Você vivia isso, eu comia um hamburguer duplo. Me arrependi, porque tinha comida boa em casa. Sempre tem comida boa em casa. Acho que é mais importante definir aonde é a sua casa. Depois, decidir quem chamar, aproveita. Mas se você se dá ao luxo de ser inconstante (eu), não dá para ser sedentário num sentimentalismo nomade. Acaba na cama, de qualquer forma. Tem gente que faz ela para dormir, ou para transar. Pior é a cegueira que tapa a decisão. Vou cair numa agora, sem a tristeza da falha. Pelo sono mesmo, amanhã eu acordo destemido, mas pronto para errar de novo. Abraços
2:
Abraço, cara!

Ou seja ficção