bolinha de gude

calhamaço do ócio

Ausência

Apertar direciona o fluxo. A forma que se aperta desenvolve a consequência, a falta de carinho, as sequelas. Na constante pressão os primeiros pavores tomam forma. Como tudo que é novo, acabam segregrados, e o bom saudável sabe manter-los longe do cotidiano. Saúde, limpa e sem cheiro, assim por dizer, não é boa para todos. Suas faltas com a originalidade dignificam a histeria dos loucos, que sem perceber acolhem os pavores.

O pavor tem um gosto bom. Eleva a alma, concede um novo status na relação corpo-espírito por coletivo. Quem se apavora por dentro colore as tintas, e não as deixa colorir. Gera paradigmas que mudam o viver, mas vive refém das mãos manipuladoras do tom - com a falsa impressão de que elas não o pertencem.

Não cicatriza porque não fere. A dor ri do machucado, pois sabe que ele passa e ela perpassa com o sofrimento profundo e invisível. Metamorfótico e intocável, de personalidade obscura, sagaz pela identidade volátil e expertise na presença. Aos donos do dom conformismo é celebrar o sofrer, inteligente quem se reproduz com a mazela.

Com a chance de perder o passo, a caminhada fica mais interessante. Com a chance de mudar o caminho, ela toma outra perspectiva.

E dessa forma o indivíduo cria, conhece, compartilha. Esquece da condição fundamental, a de não se deixar apertar e, por mais que pareça insensível ou bobo, estar sempre apto a esclarecer o trajeto. Avança e leva junto o que flui de bom, mas é incapaz de manejar todas as tranças em seu cotidiano.

Desenrolar cada uma delas implicaria no conflito entre as demais. Um nó surge a cada dia, e duas novas razões para cuidar dele. O afeto não se esvai, multiplica e ganha a beleza da saudade com um viés de tristeza. 

O jeito desse se portar aos laços do afeto é sublime e pode não ser notado. Rasteira para os ansiosos de emoção fraca, que nunca desconfiam da ansiedade maior em amparar tudo e esmiuçar sobre a emoção que não some, prevalhece em outro status.

O aparente relaxamento vale mais que um esforço para destacar o que não existe. A atenção em seu estado puro se manifesta quando a calmaria e confiança distinguem seus pavores e atam o relacionamento em imagens belas e bem acabadas. Sepultadas no limite de não chegar ao fim. 

Ou seja descartáveis desculpas