Para além da estética
A verdade é que eu me enrolo. Propositalmente. Um pouco, eu sei, demais, em exagero. Ter suas proposições como escudo ao indesejado é prudente e, visto de fora, belo. Mas é isso, exterior. A grande besteira de alguns textos (meus) é fazer o mapa por dentro. Sente-se muito e além do óbvio, capacidade que não falta a ninguém. Ama-se e isso basta para a felicidade. O requinte é a forma de exprimir, opcional que poucos adquirem ao longo da vida, opcional. Não é necessário e isso não faz a ou b com um valor maior. Depende. O que faz maior são as proposições. O escudo bloqueia e te faz ver melhor, ver alguém, sentir alguém, estar junto. Na multidão, o escudo abre uma brecha, pois ele sabe que todos querem ser derrotados pelo cansaço ao lado de um alguém. Somos dominados pelas fraquezas um do outro. A qualidade que se preza completa o buraco existente nela. Cria-se o vinculo, e o ser fica mal acostumado. Dizem que é paixão. A forma concreta e estabelecida é uma criatura bizarra que só conta piada sem graça, mas vocês riem sem parar. É verdade, a conversa dos amigos sabe. O processo incompleto clama o desespero. Porque a felicidade escolhe seu caminho, e acontece às vezes dela não concordar com o resto da idealização. O outro lado sente, e, principalmente, escuta mais alto que o eu interior. São os momentos em que o poeta cresce e a crença no utópico vende fácil. Depois de entrar é difícil sair. E o pior é pedir o extrato dos motivos. Danoso, o coração sofre com a imagem. Suas linhas tortas extrapolam a barreira do convencional e atingem de tal maneira que foge a primeira pessoa por vergonha. Guarda para si e não encontra apoio nos amigos porque eles não sabem criar buracos no escudo. Eles tentam, e sem pena, podem até piorar a sequela visível, mas de complexidade não compreendida. A verdade é que eu me acho muito feio pelas inconclusões e caras inchadas que não me deixam sorrir. E queria não usar a primeira pessoa, pois não concordo com ela e nem quero viver aqui. Mas sou convencido do que não há e vivo no que poderia ser. Quem vê a minha fragilidade só me afunda. Por culpa minha.