bolinha de gude

calhamaço do ócio

Minhas coisas aleatórias

Onde acho a conclusão para o acaso, é lá que eu quero morar. Sem muita responsabilidade, mas com uma faca assinada por ela cravada no peito. Assoviar duas vezes para abrir a porta incidentalmente.

Querer é fácil, obter é o meio do caminho. Expressar é o mais difícil, dizem que você ganha se falar direitinho. Depende da sua realidade se isso é saber pedir ou tentar encaixar o Lego.

Eu me atiro na melancolia sem conhecer seu rosto direito. Faço isso por fazer. Tenho tempo para isso, ou melhor, crio tempo para isso. As pessoas adotam um relógio de 24 horas, acho isso fascinante, mas não cola comigo. É muito bacana, marcar, andar por aí, dormir cedo, acordar saudável e não ter vontade de beber cachaça. Que legal a sua vida, mas eu entro em outra e não tenho muita noção desse tempo tão plano e facilmente catalogado.

Às vezes o meu dia tem quatro horas. Uma hora para o ócio, uma hora para a música, uma hora para amar (fingir), uma hora para esconder outras 20. As horas vão rio abaixo com a felicidade. Caem do céu quando a tormenta de tristeza aparece.

Frágil por ser volátil, é comum o espírito - que eu tenho uma descrença eterna - chegar a um acordo com o corpo, de que alguma coisa está fora de ordem, e é melhor entrar em um jeito em que os dois lados fiquem na janela. E não precisem se controlar.

E é assim que eu trabalho, que eu vou para rua, que eu tento estudar e que eu digo tanta verdade momentânea para as pessoas que eu gosto.  Um teorema de repetição, aparente conformismo, mas professor das aréolas do saber. Eu as aperto curioso e vejo o volume a sua volta, como um bebê que precisa mamar o seio para viver.

Faço isso a todo ponto porque sei que no pequeno ponto da esquina há um detalhe de edição limitada. As pessoas me irritam, pois a maioria delas só percebe quando a cópia é numerada. E nem tudo é de fácil compreensão assim.

Tiro assim o que dizer quando prefiro ficar quieto. Se o alvo reconhece o tiro, provoco o efeito desejado (efeito muitas vezes desconhecido por mim no primeiro momento), caso contrário fica a dúvida e o tempo mata o imprestável.

Perceber é viver com as coisas juntas no vazio. Montar no seu espaço vago. Enquanto uma das vistas da janela observa o caos da solidão, a outra pinta a imagem que falta. Mesclar as pinturas é a obrigação para o bem estar dos dois no mesmo trem, o corpo.

Movido a álcool e cafeína, e soltando fumaça quando bem entende. Não guardo porque tenho certeza de produzir melhor depois, e vivo com a dor da perda do que já escreveu meu impossível e utópico passado projetado pelo futuro.

Nessa carta de certezas, ponho todas em cheque com o último período. A linha em branco da espera, a dona do tempo, reverte tudo como quer. Mas, eu garanto, sempre tenho a oportunidade de dizer, procuro quem valorize.

E quando eu acho mas não encontro é a pior suposição. Única hora em que os dois lados que me habitam deixam suas janelas. O trem entra no túnel e eles decidem conversar no escuro, sem ver a face um do outro. Encarando a vontade da briga nas feições invisíveis do ódio alheio.

Antes da luz chegar, eles voltam a seus lugares e escrevem as lamentações e delírios. Esquecem um do outro e nunca vão perceber a necessidade do reconhecimento mútuo. 

Só sentem a ressaca, mediadora da reconciliação. Espantada pelo sol, viciada na noite.

Ou seja antes falar um pouco de mim