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calhamaço do ócio

Não-gosto

Ultra-essência do preferir: delimitar bem a critica. Criticar é ponderar o que é bom, valer das suas preferencias para então julgar a matéria. Julgar pede abolição do preconceito e toda moral antes posta por grupo ou alguém. Ir de contra é muito fácil, não-gostar é um desafio.

Predito como um virus racionalista que assola quem muito pensa, não-gostar é tirado como uma reação banal por gente que simplesmente não gosta. Uma franqueza estúpida que pretende traduzir suposta intelectualidade. Os unanimes veem assim quem não-gosta do algo, ou se põe a confrontar o senso. Não-gostar passa longe de ser esporte, muito menos de dar prazer: é uma constatação de estado amorfo por um raciocínio que teve origem num incomodo. É para dizer que se um lado constrange, outro revela. 

Se a pessoa é típica do não-gosto é sinal de que ela realmente gosta de alguma coisa, mas tem medo do ouvinte. O medo do ouvinte é uma situação aterrorizante em que é impossível saber se o senso de interessante se transforma num pedantismo para os alheios. A proteção natural a isso é evitar os assuntos. Como todos os assuntos tendem a um só (palmas para  relatividade), isso é um tanto quanto impossível para quem não fica calado. E sem perceber, o gosto transforma-se em não-gosto. Ou a desgraça do raciocínio bem planejado.

A maioria dos pensamentos negativos gera consequências raivosas, radicais, ignorantes ou facilmente ignoradas. Materializar a ideia pelo ‘não’ facilita pois o argumento dispensa qualquer base sólida pra viver de negação, ao passo que constrói castelos argumentativos virtuais nas nuvens das possibilidades. O afirmativo condiz com um otimismo que a história prova muitas vezes ser falso, mas é sempre a linha que acaba valendo. Essa história que pede tempo não mora na rotina, vive de constatações póstumas — logo, para quem se põe a pensar a critica do laboral cotidiano (seja um filme comercial ou a escova californiana) vai cair num limbo: ou desentendido, ou de chato. Ficar calado é ser anti-social, pior dos males sociais.

Hoje eu não sei se é melhor ser anti-social do que um sujeito que não-gosta. O não-gosta verdadeiro é aquele que fora de seu habitat (espaço em que pessoas que gostam de desenvolver raciocínios minimamente lógicos) prefere negar o comum a fim de evitar hermetismos desnecessários na vida cotiana. O chato que tudo desgosta é outro, favor não confundir, pois essa confusão é que demanda a questão: pensar calado e se isolar ou pensar e acabar no bestial não-gosto.

Adotar esse determinismo para o não-gosto parece imprudente, mas uma análise simples demostra que não. Pegando personagens comuns, maneiras comuns de escrever, manifestações sonoras comuns e outras variantes há de se encontrar defeitos e prejuízos sérios em produto. O costume do geral é não perceber; chegar para apontar o que ali há é desencadear numa mesma conversa informal vários questionamentos. Para a compreensão de quem ouve transformar isso em mera babaquice não demora muito. 

Em alguns casos não deixa de ser. Exagera-se pelo mesmo vício. O treinamento para quebrar o preconceito e progredir com qualquer análise deve ser feito sempre. E mais importante é não tornar o comum sinônimo de ruim, saber que suas estratégias argumentativas devem se basear em fatos (racionalidades) e não na falta de percepção natural de alguns (que eventualmente os impede de prosseguir com segurança um debate de ideias). 

Quem chega a esse ponto não tem medo de admitir um erro. Mudar de opinião, enfrentar o não-gosto subjugado do outro. São problemáticas sem fim e uma entidade sobrenatural inexiste para dar fim a elas. O apelo é para que o não-gosto se desassocie do sacal, pois ele é o maior esforço de evitar a demência do assunto errado.

Ou seja pessoas incômodos vidinha escrever esconder todas as coisas e suas coisas

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