February 2012
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De gosto: Wilco, "Walken"
Essa é uma das melhores do Wilco. Não porque tem um letra genuína, de beleza sem fim como “I’m Trying To Break Your Heart” ou “Jesus etc.”, “Walken” tem todo um jeito de melhor canção de todos os tempos. Do teclado insinuante ao fim apoteótico com guitarras, Jeff Tweedy canta sobre não ter mais o que fazer sobre seu amor.
Essencialmente é uma carta de...
January 2012
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Pra parecer sério
Abarcando num enjoo programado, a insonia é sempre desculpa para os males e um eventual mal humor. Por ser um drama contemporâneo, todos entendem e poucos questionam. Chega a parecer uma hipocrisia geral o não questionamento dessa insônia plástica das noites mal gastas. Só há de dizer que isso basta, e disso se vive para esconder a angustia.
Num erro constante, justifica-se o estado sentimental...
December 2011
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Retrocesso ou período sabático. Não lembro de tudo.
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Sesmaria especial às pessoas (1)
Inspirações são afáveis e dóceis. A fim de não ferir, a ideia surge como qualquer besteira mental; mero passatempo subversivo do dia-a-dia. Vide os inúmeros insights rotineiros, em formas de frases ou em possibilidades. Assim acontece porque uma proposta quando muito nova é feita sem pretensão, planejamento é segundo o segundo momento, a gênese é pura. O descaso reina soberano e muitas dessas...
October 2011
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Depósitos
- Se preocupe com coisas sérias. - Isso é sério demais. - Ambiente futil, desinformação intensa.
Ela virou o rosto pra janela. A linha um do metrô carioca realmente é debaixo da terra, ficou olhando pra escuridão, luzes de sinalização banais formam a pior vista da cidade. Nessas discussões ela costuma desligar o telefone na minha cara, presa num vagão não há muito o que fazer. Eu até gosto quando...
September 2011
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Não-gosto
Ultra-essência do preferir: delimitar bem a critica. Criticar é ponderar o que é bom, valer das suas preferencias para então julgar a matéria. Julgar pede abolição do preconceito e toda moral antes posta por grupo ou alguém. Ir de contra é muito fácil, não-gostar é um desafio.
Predito como um virus racionalista que assola quem muito pensa, não-gostar é tirado como uma reação banal por gente que...
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July 2011
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Pretensão
O martírio do cotidiano. Ideias para fazer uma música seis minutos, mas nunca passava de dois. O botão do gravador estava quase emperrado de tanto “rec” e “stop”. Passava das quatro da manhã, preocupava a carga no aparelinho. Bateria acabando, fim de expediente se aproxima.
As horas que contavam na mídia gravada são aquelas em que ele não conseguia dormir. Falta de sono...
June 2011
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O mar não chega aqui
(Narrativa ambientada ECo para a disciplina “Português II”) Três da tarde. Não é o sol se pondo que programa a ansiedade dele, ele insiste existe uma sensação de tempo perdido a cada dia que passa. Deitado num dos poucos bancos da Escola de Comunicação, seu individualismo deixa em dúvida se há espaço para mais alguém alí, do seu lado. Aquele, excepcionalmente, foi um dia de encontro...
April 2011
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Lembra
Continuar deu a impressão de desespero. Tiro o crédito da fé para penhorar o consumo nos bancos, mas se desfazer totalmente das pessoas é perigoso. Até pra mim, que evito (tento) planejar as coisas com elas. Optar por deixar de lado mostrou-se uma desaprendizagem no caminho. O tamanho da fila espanta o olho nú. Não consegue ver uma.
A vida atrelada aos detalhes surpreende a sua força. Vocação de...
March 2011
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PS
A gente se encontra num ponto em que o conflito entre a causa e a vontade impede a comunicação. O tempo vai se perdendo por pouco e dá chance para uma sobre vida do desejo - em outros corpos. Teimosia falasse menos, haveria mais correria do que calma. Se o contrário parece correto, é porque não se reconhece a apatia como ator no contra fluxo do querer, disfarçada de relaxamento, com boas intenções...
Passagem
Na virada do dia, recolheu as balas guardadas e jogou na mochila. Junto com as outras elas supririam a falta de música para lhe acompanhar na viagem. Computador desligado, mesa limpa com um suspiro que quase derrubou a cadeira. Se levantou e confundiu seu reflexo na tela da televisão desligada com um vulto, não teve medo. Apenas riu e seguiu a sua vida até o próximo ponto.
Dez horas depois de...
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Ambivalência
- Tá tudo errado nessa questão de ordem mundial. Eu não lembro do que agora, mas está errado e eu não concordo. Não tenho opção diferente a isso, só posso discordar das assertivas impostas pelo modelo de produção atual, que nos submete ao incrível espetáculo da escravização do tempo livre. Esse sofre em nome da produtividade, produtividade de quem? De porra nenhuma, resmungue sozinho e ature suas...
Prenda
Indicaria ao analista uma rotina estressante. Baixa remuneração e pouco otimismo numa vida movimentada em que isso é assaz necessário para atingir qualquer meta. Bobagem. Não gastava tempo nem dinheiro nas consultas porque, secretamente, sabia que seu vício era dormir pouco.
A insônia é cruel, indesejada pelas pessoas saudáveis, mas após anos de convivência, ele se deixou encantar pelos charmes...
February 2011
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Sobre a dor
Pinturas rupestres. Faziam assim antigamente para se expressar. São traços feios e valorizados pela idade. Falam muito de uma época que não se tem notícia. Anonimato terrível da verdade. Os habitantes do presente olham fixamente para elas tentando achar uma resposta.
Como num quarto. Ele estava deitado numa cama. Perto, uma janela era escondida por uma cortina verde pequena, com uma fresta para o...
January 2011
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Monólogo
Chega uma hora no bar em que eu paro de procurar um lugar para colocar o pé. Gosto de ficar semi-deitado, naquela posição confortável que ferra a coluna. Me falaram sobre o canastrão do cóccis, não se pode depender dele para manter a coluna. Bêbado eu não penso assim. Depois de algumas horas, o bar esvazia eu perco a vergonha de aproximar uma cadeira vazia para poder me sustentar melhor.
- Logo,...
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Carta, 9 de dezembro de 2010 00:54
Eu tô com sono, mas tinha me prometido que iria escrever um texto hoje. Não foi, quer dizer, ainda não acabou o tempo, mas eu dormi pouco de ontem para hoje, e vai ficar complicado somar mais um dia sem descanso. Deveria ser capaz disso, mas, você sabe, eu não faço lá muitas coisas direito.
Raramente me incomodo com a forma que os emails chegam. Minto. Sim, me incomodam quando eles são falsos,...
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Um rolê
Eu pareço um aluno de teatro nos meus diálogos imaginários. Repito sempre as mesmas frases, com outras caras e entonações. Me preocupo tanto em não transparecer nada, mas o desespero toma conta e corro para o primeiro abrigo. A denúncia toda o mundo e eu sigo esquecendo. Ou pelo menos na tentativa.
Tentar possui mais de um significado. Tentar “alguém” eu gosto. Faço direito quando não...
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Mentirosos
1: Comeu a?
2: Quem te disse?
1: Perguntei. Foi bom?
2: Comi não.
1: Comeria
2: Também.
1: Às vezes elas falam demais, decidem pensar pelos dois. Estraga
2: Exatamente. Mas como você sabe disso tudo? Tu é bruxo? Ela tava comigo hoje.
1: Isso é com você. Eu não sei de nada, sei de todas que me falaram não pelo mesmo motivo
1: Não disse que a comeria, foi uma suposição sobre uma ideia sua
2: Eu desisti.
1: Tá tudo mudando. Era superficial?
2: Ela? Eu?
1: Não, a outra
2: Era.
1: Descobriu quando?
2: Hoje. Por isso que eu achei meio bruxa, a sua abordagem acerca do assunto.
1: Você vivia isso, eu comia um hamburguer duplo. Me arrependi, porque tinha comida boa em casa. Sempre tem comida boa em casa. Acho que é mais importante definir aonde é a sua casa. Depois, decidir quem chamar, aproveita. Mas se você se dá ao luxo de ser inconstante (eu), não dá para ser sedentário num sentimentalismo nomade. Acaba na cama, de qualquer forma. Tem gente que faz ela para dormir, ou para transar. Pior é a cegueira que tapa a decisão. Vou cair numa agora, sem a tristeza da falha. Pelo sono mesmo, amanhã eu acordo destemido, mas pronto para errar de novo. Abraços
2: Abraço, cara!
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As coisas não vão bem para quem acredita
Abrir um saco de salgadinhos foi a primeira surpresa da vida. Quando criança pouco se percebe os apelos, mas eles são impactantes nas ações infantis. Os pais sabem como irritante são os pedidos, não deixa de ser curioso esse comportamento no supermercado. Querem os embalados menos pelo sabor, e mais pela “surpresa”.
Os pequenos desconfiam do brinde, são inteligentes o suficiente para...
December 2010
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Excursão
Passear nas ruas do centro em um domingo incita uma revolução pessoal. Do ônibus, avista-se pela janela uma infinidade de letreiros decadentes. Sem todas as letras do estabelecimentos, com o telefone de 7 digitos e com um espaço reservado para a sujeira. São bem comuns, e todos eles personagens do centro.
Aqueles letreiros um dia foram grandiosos. Vistosos e reconhecíveis para a população que...
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Fragmento
- Eu não gosto. - Hã?! De que? - Esquece. - Esqueço, sim, mas de que? - Ah, porra. Sabe bem que gosto de falar sozinho. - Qual o motivo? - Ódio dos psicanalistas amadores. - Quer que eu cite Freud? Hahaha.
Não tinha se zangado de verdade, gostava de ser irritante. Abriu um sorriso e virou para a janela. A cortina encobria a claridade, mas passava alguma coisa que parecia luz. As lâmpadas...
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As irregularidades não são deformações da... →
As nuvens não são esferas nem as montanhas são cones. Era o que pensava Benoît Mandelbrot. Na ânsia de explicar o mundo natural, ele descobriu a função e a beleza das formas impuras e chamou a atenção para um dos objetos mais inesgotáveis da matemática.
Antes do fim
Conteudismo aplicado nas avaliações diárias insere metas fictícias na vida das pessoas. Saber que não serei julgado por vontade ou aplicação, satisfação ou talento, corrói a ponta do cigarro em foco na minha vista.
Eu, bem sei, nunca fumei aquele. Fumei de outro tipo, mas usual, talvez pior. A imagem me atraia, parecia bom, e a verdade é que não curti o material. Espero outra chance para uma...
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Ausência
Apertar direciona o fluxo. A forma que se aperta desenvolve a consequência, a falta de carinho, as sequelas. Na constante pressão os primeiros pavores tomam forma. Como tudo que é novo, acabam segregrados, e o bom saudável sabe manter-los longe do cotidiano. Saúde, limpa e sem cheiro, assim por dizer, não é boa para todos. Suas faltas com a originalidade dignificam a histeria dos loucos, que sem...
November 2010
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Domesticação
São muitas pessoas. Pessoas que ficam alegres, pessoas que gostam de pessoas, pessoas insuportáveis, pessoas que mudam com o tempo, pessoas amadas, pessoas que pedem para ficar só, pessoas que acabam só, pessoas que choram e pessoas que choram por não chorar. Pensar assim congestiona.
Por mais que o foco seja a pessoa, a visão de um coletivo sempre se sobressai. Flui a insegurança de segregar, os...
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Entre casos
Invariavelmente, as ordens dadas da razão chamam o efeito negativo. A contraposição do errado e sua referência dentro de um esquema emocional ou tecnológico exprime o funcionamento em claras linhas lógicas e racionais. Por bem ser, é temível o poder que a razão controla a cargo de não.
Não é sempre, mas o não acontece. Os detalhistas da negatividade assim encontram um belo respaldo na razão....
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Lugares próprios, divididos
- Mas você não quis dizer isso. - Quem disse que não? - Eu tô dizendo agora.
Ela virou para trás, como há dois meses, pegou a bolsa e deixou cair o CD que eu havia dado de presente, há dois meses. A capa de plástico parecia quebrada com a luz incidente, ele prestou atenção no plástico e não a viu sair. Foram horas chorando para a porta aberta, artifício da pressa dela, simbologia da esperança...
October 2010
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Para além da estética
A verdade é que eu me enrolo. Propositalmente. Um pouco, eu sei, demais, em exagero. Ter suas proposições como escudo ao indesejado é prudente e, visto de fora, belo. Mas é isso, exterior. A grande besteira de alguns textos (meus) é fazer o mapa por dentro.
Sente-se muito e além do óbvio, capacidade que não falta a ninguém. Ama-se e isso basta para a felicidade. O requinte é a forma de...
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Minhas coisas aleatórias
Onde acho a conclusão para o acaso, é lá que eu quero morar. Sem muita responsabilidade, mas com uma faca assinada por ela cravada no peito. Assoviar duas vezes para abrir a porta incidentalmente.
Querer é fácil, obter é o meio do caminho. Expressar é o mais difícil, dizem que você ganha se falar direitinho. Depende da sua realidade se isso é saber pedir ou tentar encaixar o Lego.
Eu me atiro na...
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When you told me
You didn’t need me anymore, Well, you know, I nearly Broke down and cried. When you told me You didn’t need me anymore, Well, you know, I nearly Broke down and died.
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Oh, darling,
If you leave me, I’ll never make it alone. Believe me when I tell you, I’ll never do you no harm.
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Believe me, darling.
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Oh, darling,
Please believe me. I’ll never let you down. (Oh, believe me, darling.) Believe me when I tell you, I’ll never do you no harm…
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Nome
O ramo sem flor esconde seu valor. Balança com o vento e alimenta a planta. Pouco notado, ele é sensível para quem o vê distinto. Se foge a lucidez complementar dos dias, esses ramos se perdem na incompreensão. É uma frase solta, figurinha repetida e barata.
Conclusão acusada de preconceito. Vontade certa sem pudor e analogias diferentes, por negar a fantasia vive despercebido. Olhar para ele e...